Aula de Literatura: Memórias Póstumas de Brás Cubas
12 dezembro 2008 at 5:17 pm (Sem-categoria) (ação opressora, advogado, análise psicológica, Aula de Literatura, Bras Cubas, Camilo Castelo Branco, campa, centenário da morte de Machado de Assis, citações, Coimbra, cortiço, Cotrim, Crítica Social, críticas, Dante Alighieri, Defastio, defunto autor, direito, disgraças humanas, disgresões, Divina Comédia, Dom Casmurro, Dona Eusébia, Dona Plácida, Eugênia, faculdade, fama, figuração negativista, flor da moita, folhetins, gancho, Gustave Flaubert, idéia fixa, Implastro, implastro Brás Cubas, inverossímel, irônica, Jornal de Oposição, Juntão, lei de compensação, leis insensatas, Literatura, livro de memórias, Livros, livros recomendados vestibulares, Lobo Neves, longa viagem, Machado de Assis, maiores escritores, Marcela, máscaras do egoísmo, medianeira, medicamento, melancolia, Memórias Póstumas de Bras Cubas, metalinguagem, Minas Gerais, mordaz, não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado de nossa miséria, Negativas, obras Machadianas, origem dos séculos, Pandora, paranóia, pneumonia, polimetáfora, Prudêncio, Quincas Borba, Realismo Brasileiro, reflexões, relação psicológica, romance insólito, romances, satírica, segredos, sem destino, suspenses, tema do adultério, tendências realistas, Tijuca, Velho Diálogo de Adão e Eva, Vergalho, Vestibulares, vida boêmia, Virgília, visão pessimista)
Estou disponibilizando aqui uma aula de Literatura sobre o livro Memórias Póstumas de Brás Cubas, espero que seja útil assim como
foi para os meus estudos e até mesmo para refelexão. Caso tenha dúvidas, leia esta aula e se gostar do que ler, leia o livro.
Memórias Póstumas de Brás Cubas -> Feito por Machado de Assis,
foi o início do Realismo Brasileiro, em 2008 foi 100 anos da morte de Machado.
Memórias Póstumas de Bras Cuba (MPBC ) é uma narrativa de Machado… a 1ª fase dele é romântica e a 2ª é realista (aí entra o MPBC).
O livro causa certo espanto pois o narrador está morto desde o início do livro.
Ele se determina como um defunto autor, primeiro ele morre pra depois escrever (por isso defunto autor).
Autor defunto é aquele que escreve e depois morre.
Na campa foi um outro berço, na campa (lugar onde é posto os mortos) nasce um novo Brás Cuba (um novo autor, escritor).
Memórias Póstumas é um livro em que ele pode denunciar tudo (segredos, romances, críticas) pois não pode ser punido por já estar morto…
-> Crítica Social, tema do adultério, todas as tendências realistas mas Machado aprofunda o personagem (com intensa análise psicológica)
Os comentários que Brás Cubas faz é um comentário de morto, é um morto que conta sua vida conforme o que ele vai lembrando.
Um livro de memórias geralmente começa pelo nascimento, mas Brás Cubas já começa com a morte (o final dela), rompendo o padrão de um livro de memórias.
Ele lança suspenses “daqui a pouco lhe falo quem é” o que faz segurar o leitor para o capítulo ou página seguinte com intuito de segurar o leitor, o gancho típico dos folhetins — ganchos para sustentar o leitor durante toda a narrativa.
-> Traz freqüentes citações, que servem como suportes para a reflexão
tudo tem uma função no livro (proposta psicológica).
A obra realista tem um relato lento, é uma narrativa que não é cronológicamente linear (afinal é uma memória)
*É inverossímel pois é um morto que conta a história e o morto conversa com o leitor, mas conversa-se com um morto que nunca existiu (um romance insólito).
Bras Cubas tem um ponto de vista pessimista, uma figuração negativista com relação o que é a própria vida, um descrédito as pessoas. Cubas defende que os bons sentimentos são máscaras do egoísmo — ele não
acredita no ser humano.
No Memória Postumas há dois Bras Cubas diferenciados: um Bras Cubas morto que fará uma série de disgresões,reflexões e análises e há um
Bras Cubas vivo que vive a história.
As sequências narrativas do livro são do Brás Cuba vivo, as sequências disgressivas do livro são as passagens que possui o Bras Cubas morto.
Na obra de Dom Casmurro há também este jogo, já que há um Bentinho jovem (vive a história) e um Bentinho Velho (relata a história).
Apresenta traços do realismo, elementos clássicos [clareza do livro é nítida],antecipação de valores modernos, em ‘Velho Diálogo de Adão e Eva’, é um diálogo expresso não por palavras e sim por pontinhos
e pontos que denotam surpresas, satisfações…
Machado está além do seu tempo com a sua obra.
A idéia fixa do Brás Cubas é a fama, tudo o que ele faz não acaba dando certo.
Escrevendo o livro de memórias ele também busca a imortalidade.
Bras Cubas é uma figura satírica, irônica e observadora de uma realidade que não é só a dele e que combina a fraqueza, a piada e a franqueza.
Ele zomba daquilo que ele mesmo fez, mas apesar de morto ele está muito preocupado com o mundo dos vivos. Ele é um derrotado que está se vingando.
Por Defastio, é assim que Brás Cuba define o motivo de estar escrevendo suas memórias, mas o principal fator seria uma última tentativa de glória e fama.
No último capítulo já é possível compreender que ele é um perdedor que nada conseguiu na vida, é um vagabundo, mentiroso, cínico, o que o torna
uma pessoa em quem não se pode dar crédito.
Cubas diz que sua morte foi causada por uma idéia, pois ele morreu de pneumonia enquanto descuidou-se e deixou uma janela aberta enquanto se iludia com a invenção de um medicamento contra a melancolia
em sua busca pela fama (implastro Brás Cubas) – ele é um advogado, quer a fama e não realmente salvar as pessoas da melancolia.
Ao sepultamento dele foi poucas pessoas pois estava chovendo e não foi anunciado sua morte.
Cubas relata um delírio (pois estava febril por causa da pneumonia). O gato juntão transforma-se em Hipopótamo e este levará Bras Cubas a uma
longa viagem e esta viagem é sem destino, uma viagem à origem dos séculos.
E aí surge Pandora (figura mitológica) e esta mostra para Brás Cubas as disgraças do homem, uma polimetáfora e uma disgressão que leva a refletir sobre a própria condição humana.
Quando criança aprontava muito, denunciava amantes, ele cresce e terá sua primeira grande paixão: Marcela, uma prosituta, e gastará muito dinheito com ela, na verdade o dinheiro de seu pai, já que ele não
trabalhava. Seu pai ao ver infame situação resolve mandá-lo para estudar Direito em Coimbra.
Cubas pede para Marcela acomapanhá-lo, mas ela se recusa, pois ela não é mulher de um homem só.
Ele vai a faculdade mas não cursa, frequenta os bares ao redor da faculdade, tendo uma vida Boêmia.
Brás Cuba se forma e recebe um chamado do pai para que ele volte ao Brasil porque a mãe estava morrendo.
No tempo que Brás Cubas volta, a mãe revê o filho mas morre de câncer logo depois.
Sete dias de luto e vizinho a residência na Tijuca mora Dona Eusébia que possui uma filha de nome Eugênia (alcunhando-a como flor da
moita, pois ela nasceu do fruto de uma relação extra-conjugal), é uma filha ilegítima que por esta razão não será digna de um Cubas.
O mordaz Cubas flerta com Eugênia, mas eles não vão ficar devido a alguns fatores como por exemplo a inferioridade social e a imperfeição física (pois ela era bonita, mas coxa).
O Pai de Bras Cubas morre desgostoso pois roubam de seu filho a mulher (Virgília) e uma candidatura a Deputado.
Cotrim – cunhado de Cubas – é extremamente ganacioso e passa por cima de todos para conseguir o que quer…
E este cunhado discute entre os familiares para ver quem vai
ficar com os bens.
Bras Cubas reencontra seu amigo de infância Quincas
Borba (uma história se intersecciona a outra [livro
quincas borbas])
Dona Plácida é uma medianeira (Virgília e Cubas eram amantes)
que não gosta do que faz, mas quando Cubas dá um dinheiro a ela ela perde o nojo. (e assim o nojo da Plácida acabou).
Posteriormente ela perde este dinheiro – um dinheiro que não é de ninguém (um rapaz se envolverá com ela e levará seu dinheiro).
Cubas vê um negro chicoteando outro negro, o negro segurando o Vergalho era Prudencio, este era um escravo da família de Brás Cubas
o qual ele humilhava e maltratava.
Prudêncio ganha liberdade, junta dinheiro e compra um escravo. Ele faz a este escravo o que faziam com ele (lei de compensação), ele compensa o mal que recebeu transmitindo-o.
Machado de Assis está preocupado com a relação psicológica do homem (não com a escravidão) ele irá discutir porque a ação opressora vai se
propagando.
Cubas foi convidado a ser um secretário pelo marido de Virgília (Lobo Neves) mas não vai por ser no dia 13 (e ele tinha muito medo desta data,
devido a diversos fatores).
Bras Cubas vira Deputado, mas apenas propunha leis insensatas o que lhe faz perder o cargo, nisso ele abra um Jornal de Oposição e em Minas Gerais
Quincas Borbas enlouquece e morre, o Jornal de Oposição Bras Cubas é fechado. –tudo que ele tenta fazer para ser alguém na vida não dá certo.
Cubas visita um cortiço e encontra a flor da moita (Eugenia) e a Dona Plácida havia morrido praticamente abandonada.
E Bras Cubas fica obcecado na idéia de criar um remédio contra a melancolia: o Implastro.
O último capítulo é o das Negativas e ele conclui que: “não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado de nossa miséria”.
Esta frase é uma adptação que Machado de Assis faz de uma carta de Gustave Flaubert (um dos maiores escritores universais).
Machado de Assis lia muito, e muito do que ele lia é presente em suas obras, tornaram-se influenciadores nas suas obras, o que faz a grandiosidade das obras Machadianas.
Pergunta e Resposta
É uma característica apenas do Machado de Assis colocar o Narrador conversando com o leitor?
Resposta: Não é uma característica só do Machado, se você
pegar as obras românticas, por exemplo, o Romantismo
Português de Camilo Castelo Branco também já faz isso.
A Referência ao leitor tambem é presente na Divina Comédia de Dante Alighieri. Machado não inventou esta característica, ela já existe ao longo da literatura mas Machado freqüentemente usa a conversa com o leitor, a metalinguagem, a ironia, a digressão – presente em praticamente todas as obras de Machado de Assis.
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Esta obra é muito requisitada nos vestibulares e ao assistir e escrever esta aula, tive a intenção de ajudar aos futuros vestibulandos (aliás prestei vestibular em 2008
) e aguçar seus sentidos literários.
Tenha muito sucesso, leitor !






























Valwu disse,
22 março 2009 às 9:44 pm
Bom esse comentario eh muito bom!
ele faz muitas sitaçoes o livro inteiro, um livro muito bom para se ler!
Olha ajuda mais nem tanto ledor!
Lilian Guimarães Rosa disse,
25 maio 2010 às 9:10 pm
O livro é realista fantástico , os capítulos ”O que escapou a Aristóteles” e ”O caso da borboleta preta” nos fazem refletir sobre a essência humana , no âmago dessa essência de existir.
liverig disse,
9 julho 2010 às 1:17 pm
Seu comentário foi enriquecedor ao tópico. Obrigado!