Aula de Literatura: Memórias Póstumas de Brás Cubas

12 dezembro 2008 at 5:17 pm (Sem-categoria) (, , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , )

Estou disponibilizando aqui uma aula de Literatura sobre o livro Memórias Póstumas de Brás Cubas, espero que seja útil assim como foi para os meus estudos e até mesmo para refelexão. Caso tenha dúvidas, leia esta aula e se gostar do que ler, leia o livro.

Memórias Póstumas de Brás Cubas -> Feito por Machado de Assis,
foi o início do Realismo Brasileiro, em 2008 foi 100 anos da morte de Machado.

Memórias Póstumas de Bras Cuba (MPBC ) é uma narrativa de Machado… a 1ª fase dele é romântica e a 2ª é realista (aí entra o MPBC).

O livro causa certo espanto pois o narrador está morto desde o início do livro.

Ele se determina como um defunto autor, primeiro ele morre pra depois escrever (por isso defunto autor).

Autor defunto é aquele que escreve e depois morre.

Na campa foi um outro berço, na campa (lugar onde é posto os mortos) nasce um novo Brás Cuba (um novo autor, escritor).

Memórias Póstumas é um livro em que ele pode denunciar tudo (segredos, romances, críticas) pois não pode ser punido por já estar morto…

-> Crítica Social, tema do adultério, todas as tendências realistas mas Machado aprofunda o personagem (com intensa análise psicológica)

Os comentários que Brás Cubas faz é um comentário de morto, é um morto que conta sua vida conforme o que ele vai lembrando.

Um livro de memórias geralmente começa pelo nascimento, mas Brás Cubas já começa com a morte (o final dela), rompendo o padrão de um livro de memórias.

Ele lança suspenses “daqui a pouco lhe falo quem é” o que faz segurar o leitor para o capítulo ou página seguinte com intuito de segurar o leitor, o gancho típico dos folhetins — ganchos para sustentar o leitor durante toda a narrativa.

-> Traz freqüentes citações, que servem como suportes para a reflexão
tudo tem uma função no livro (proposta psicológica).

A obra realista tem um relato lento, é uma narrativa que não é cronológicamente linear (afinal é uma memória)

*É inverossímel pois é um morto que conta a história e o morto conversa com o leitor, mas conversa-se com um morto que nunca existiu (um romance insólito).

Bras Cubas tem um ponto de vista pessimista, uma figuração negativista com relação o que é a própria vida, um descrédito as pessoas. Cubas defende que os bons sentimentos são máscaras do egoísmo — ele não
acredita no ser humano.

No Memória Postumas há dois Bras Cubas diferenciados:  um Bras Cubas morto que fará uma série de disgresões,reflexões e análises e há um
Bras Cubas vivo que vive a história.

As sequências narrativas do livro são do Brás Cuba vivo, as sequências disgressivas do livro são as passagens que possui o Bras Cubas morto.

Na obra de Dom Casmurro há também este jogo, já que há um Bentinho jovem (vive a história) e um Bentinho Velho (relata a história).

Apresenta traços do realismo, elementos clássicos [clareza do livro é nítida],antecipação de valores modernos, em ‘Velho Diálogo de Adão e Eva’, é um diálogo expresso não por palavras e sim por pontinhos
e pontos que denotam surpresas, satisfações…

Machado está além do seu tempo com a sua obra.

A idéia fixa do Brás Cubas é a fama, tudo o que ele faz não acaba dando certo.

Escrevendo o livro de memórias ele também busca a imortalidade.

Bras Cubas é uma figura satírica, irônica e observadora de uma realidade que não é só a dele e que combina a fraqueza, a piada e a franqueza.

Ele zomba daquilo que ele mesmo fez, mas apesar de morto ele está muito preocupado com o mundo dos vivos. Ele é um derrotado que está se vingando.

Por Defastio, é assim que Brás Cuba define o motivo de estar escrevendo suas memórias, mas o principal fator seria uma última tentativa de glória e fama.

No último capítulo já é possível compreender que ele é um perdedor que nada conseguiu na vida, é um vagabundo, mentiroso, cínico, o que o torna
uma pessoa em quem não se pode dar crédito.

Cubas diz que sua morte foi causada por uma idéia, pois ele morreu de pneumonia enquanto descuidou-se e deixou uma janela aberta enquanto se iludia com a invenção de um medicamento contra a melancolia
em sua busca pela fama (implastro Brás Cubas) – ele é um advogado, quer a fama e não realmente salvar as pessoas da melancolia.

Ao sepultamento dele foi poucas pessoas pois estava chovendo e não foi anunciado sua morte.

Cubas relata um delírio (pois estava febril por causa da pneumonia). O gato juntão transforma-se em Hipopótamo e este levará Bras Cubas a uma
longa viagem e esta viagem é sem destino, uma viagem à origem dos séculos.

E aí surge Pandora (figura mitológica) e esta mostra para Brás Cubas as disgraças do homem, uma polimetáfora e uma disgressão que leva a refletir sobre a própria condição humana.

Quando criança aprontava muito, denunciava amantes, ele cresce e terá sua primeira grande paixão: Marcela, uma prosituta, e gastará muito dinheito com ela, na verdade o dinheiro de seu pai, já que ele não
trabalhava. Seu pai ao ver infame situação resolve mandá-lo para estudar Direito em Coimbra.

Cubas pede para Marcela acomapanhá-lo, mas ela se recusa, pois ela não é mulher de um homem só.

Ele vai a faculdade mas não cursa, frequenta os bares ao redor da faculdade, tendo uma vida Boêmia.

Brás Cuba se forma e recebe um chamado do pai para que ele volte ao Brasil porque a mãe estava morrendo.

No tempo que Brás Cubas volta, a mãe revê o filho mas morre de câncer logo depois.

Sete dias de luto e vizinho a residência na Tijuca mora Dona Eusébia que possui uma filha de nome Eugênia (alcunhando-a como flor da
moita, pois ela nasceu do fruto de uma relação extra-conjugal), é uma filha ilegítima que por esta razão não será digna de um Cubas.

O mordaz Cubas flerta com Eugênia, mas eles não vão ficar devido a alguns fatores como por exemplo a inferioridade social e a imperfeição física (pois ela era bonita, mas coxa).

O Pai de Bras Cubas morre desgostoso pois roubam de seu filho a mulher (Virgília) e uma candidatura a Deputado.

Cotrim – cunhado de Cubas – é extremamente ganacioso e passa por cima de todos para conseguir o que quer…
E este cunhado discute entre os familiares para ver quem vai
ficar com os bens.

Bras Cubas reencontra seu amigo de infância Quincas
Borba (uma história se intersecciona a outra [livro
quincas borbas])

Dona Plácida é uma medianeira (Virgília e Cubas eram amantes)
que não gosta do que faz, mas quando Cubas dá um dinheiro a ela ela perde o nojo. (e assim o nojo da Plácida acabou).

Posteriormente ela perde este dinheiro – um dinheiro que não é de ninguém (um rapaz se envolverá com ela e levará seu dinheiro).

Cubas vê um negro chicoteando outro negro, o negro segurando o Vergalho era Prudencio,  este era um escravo da família de Brás Cubas
o qual ele humilhava e maltratava.

Prudêncio ganha liberdade, junta dinheiro e compra um escravo. Ele faz a este escravo o que faziam com ele (lei de compensação), ele compensa o mal que recebeu transmitindo-o.

Machado de Assis está preocupado com a relação psicológica do homem (não com a escravidão) ele irá discutir porque a ação opressora vai se
propagando.

Cubas foi convidado a ser um secretário pelo marido de Virgília (Lobo Neves) mas não vai por ser no dia 13 (e ele tinha muito medo desta data,
devido a diversos fatores).

Bras Cubas vira Deputado, mas apenas propunha leis insensatas o que lhe faz perder o cargo, nisso ele abra um Jornal de Oposição e em Minas Gerais
Quincas Borbas enlouquece e morre, o Jornal de Oposição Bras Cubas é fechado. –tudo que ele  tenta fazer para ser alguém na vida não dá certo.

Cubas visita um cortiço e encontra a flor da moita (Eugenia) e a Dona Plácida havia morrido praticamente abandonada.

E Bras Cubas fica obcecado na idéia de criar um remédio contra a melancolia: o Implastro.

O último capítulo é o das Negativas e ele conclui que: “não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado de nossa miséria”.
Esta frase é uma adptação que Machado de Assis faz de uma carta de Gustave Flaubert (um dos maiores escritores universais).

Machado de Assis lia muito, e muito do que ele lia é presente em suas obras, tornaram-se influenciadores nas suas obras, o que faz a grandiosidade das obras Machadianas.

Pergunta e Resposta

É uma característica apenas do Machado de Assis colocar o Narrador conversando com o leitor?

Resposta: Não é uma característica só do Machado, se você
pegar as obras românticas, por exemplo, o Romantismo
Português de Camilo Castelo Branco também já faz isso.
A Referência ao leitor tambem é presente na Divina Comédia de Dante Alighieri. Machado não inventou esta característica, ela já existe ao longo da literatura mas Machado freqüentemente usa a conversa com o leitor, a metalinguagem, a ironia, a digressão – presente em praticamente todas as obras de Machado de Assis.

_____________________________
Esta obra é muito requisitada nos vestibulares e ao assistir e escrever esta aula, tive a intenção de ajudar aos futuros vestibulandos (aliás prestei vestibular em 2008 :-D ) e aguçar seus sentidos literários.

Tenha muito sucesso, leitor !

3 Comentários

  1. Valwu disse,

    Bom esse comentario eh muito bom!
    ele faz muitas sitaçoes o livro inteiro, um livro muito bom para se ler!
    Olha ajuda mais nem tanto ledor!

  2. Lilian Guimarães Rosa disse,

    O livro é realista fantástico , os capítulos ”O que escapou a Aristóteles” e ”O caso da borboleta preta” nos fazem refletir sobre a essência humana , no âmago dessa essência de existir.

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